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Cartas à Lua

Cartas à Lua

A minha sogra

A minha mãe já foi alcoólica. Um facto com o qual lido muito bem porque tenho o maior orgulho e prazer em a ver bem, forte e sorridente com a vida agora. Não é que ela fosse uma alcoólica daquelas a que estamos habituados a ver nas telenovelas ou nos filmes, que se transformam completamente sob o domínio do álcool e que precisam de extensos tratamentos de reabilitação que demoram a resultar. A minha mãe era uma pessoa que bebia pouco mas que não se alimentava corretamente e, sem ninguém notar algum estado alcoólico dela, foi parar ao hospital entre a vida e a morte porque uma infeção aparentemente simples transformou-se num quadro de sepsis devido à subnutrição, à falta de proteínas e ao consumo de álcool (que embora não excessivo não fosse o adequado para uma pessoa nestas condições). Foram dias difíceis. Muito difíceis. Foi o ter a minha mãe a correr risco de vida duma hora para a outra juntamente com todos estes novos factos até lá desconhecidos. Mas passaram, graças a Deus ou seja quem for que me guia pela felicidade, ela agora está forte, com imensa força de vontade, a alimentar-se corretamente e sem tocar no álcool. Digamos que aprendeu com o susto e aqui se aplica verdadeiramente o ditado - há males que vêm por bem. E porque é que este post é entitulado de "a minha sogra"? Porque vivo numa aldeia, uma daquelas terrinhas que se sabe da vida de todos sabem? E é péssimo quando o amor da tua vida é da aldeia ao lado. Ora bem, como em todas as aldeias, não estava à espera doutra coisa que não fosse toda a gente comentar o facto da minha mãe beber ou deixar de beber. Coisa para a qual estou bem a borrifar-me porque a única e real preocupação era a minha mãe ficar bem, era a minha mãe sobreviver, e acreditem, não sabem o peso da frase "se a minha mãe sobreviver" na vida duma pessoa. Mas não é que isto chegou aos ouvidos da mãe do meu namorado? E então a senhora que sempre gostou de mim, que me fazia uma festa sempre que me via, que insistia com o filho para me levar mais vezes lá a casa (coisa que odeio porque detesto essas confianças com a família do namorado), que praticamente me obrigou a conhecer a família toda que me apresentou com o maior orgulho do mundo, de repente deixou de me sorrir quando me via, ignorava quando eu falava, mostrava-se incomodada quando eu estava presente em eventos de família e até se esqueceu subtilmente de me convidar para um batizado que houve entretanto? Enchi e falei com o meu namorado, que confirmou que era por causa da minha mãe ao falar com ela. Então esta senhora estava a ser desagradável comigo por causa duma coisa que tinha ouvido sobre uma pessoa que ela nem conhecia e que, embora fosse minha mãe, não me envolvia diretamente. Passaram três meses desde que isto se desenvolveu. E já tive que conviver com ela mais algumas vezes depois disto. E não consigo, juro que tento, não consigo perdoar e esquecer! Mesmo que ela agora esteja diferente e já tenha voltado ao "normal" comigo (ou finja que voltou só para agradar o filho) simplesmente não consigo esquecer a falta de respeito, de bom senso e sobretudo de humanidade daquela mulher. Hoje tive um jantar em casa dela, não pude deixar de ir porque embora a evite a todo o custo o jantar era para comemorar o fim da licenciatura do meu namorado. Há uma certa altura em que ela pega num quadro com uma foto tirada no tal batizado onde estão os pais do meu namorado, os irmãos, as respectivas mulheres e filhos e o meu namorado, ela pega no quadro e mostra na mesa e diz "este aqui é da família toda, estão todos aqui". Eu não sei se conti as lágrimas de tristeza ou de ódio por aquela mulher mas conti e fingi que não ouvi. Escrevam o que vos digo, isto ainda vai dar cabo da minha ótima e maravilhosa relação com o meu namorado.

Inferno #3

As minhas colegas de casa são umas bitches. E hoje basicamente é isto. Precisava de desabafar e como gritar não funciona visto que podem ouvir do quarto delas vim desabafar aqui. Obrigada.

Inferno #2

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Eu estudo em Coimbra. E por incrível e mais anormal que possa parecer não amo Coimbra e não grito saudades por esta cidade, ainda antes de me ir embora. Porquê? Assunto para um outro post, ou para vários, porque são várias as razões que me levam a chamar isto do meu inferno pessoal. No entanto, o que me leva a escrever hoje é um sentimento: N-O-J-O. Tenho nojo de ser estudante de Coimbra. Tenho nojo de estudar e ser colega duma geração de merdas. Tenho nojo de ser confundida com este tipo de juventude. Tenho nojo. Hoje, por volta da 1h da manhã, quando me preparava para comer umas torradas antes de ir deitar-me a ver uma série deparo-me com este cenário: -cerca de seis jovens, caloiros, visivelmente embriagados a cantar aos berros para a varanda do meu prédio onde se encontravam as minhas recentes três colegas de casa (um outro assunto para um outro post) o seguinte tema, ou seja lá o que se pode chamar a isto: "oh Joana põe-te de quatro, baixa a cueca, vou-te dar uma queca, e se não gostas, que sa foda, vou-te foder vou-te foder a cona toda". Lamento a linguagem. Lamento mesmo. Agora expliquem-me como é que eu posso não ter nojo de pertencer a um grupo, estudantes de Coimbra, onde miúdos que acabaram de sair das saias da mamã vêm cantar coisas destas para a frente dum prédio onde moram famílias, pessoas de idade e CRIANÇAS. Muito importante isto. Crianças!! É este o futuro de profissionais que teremos no nosso país? Por favor alguém me explique isto. É que estou a ponderar o meu incessante desejo de ser mãe porque não sei, mesmo, se quero meter um filho num mundo como este. P.s:as minhas colegas de casa, 3 miúdas importantes porque são "doutoras" pela primeira vez e podem mandar em algo mais que não seja no cão lá de casa riram-se perante esta situação toda.

A minha autoestima

Acho que nem posso bem dizer que é a minha autoestima porque há alturas que nem sequer tenho disso. E não, isto não é uma crise da adolescência (até porque já passei dos 20 há algum tempo) nem a típica conversa de mulher. É um facto. Não sei o que acontece comigo quando venho embora da minha terra para vir passar mais um semestre a este meu inferno pessoal mas sei que, certinho e direitinho, a minha autoestima (a pouca e a muita) fica lá e nem sequer sobe o autocarro para vir comigo. Talvez seja de não o ter cá, provável. Com ele sinto-me sempre bonita, amada e especial, sinto que sou atraente enquanto pessoa, daí ele gostar tanto de mim. Mas aqui, sem ele, só olho para todas as moças que vejo na rua vestidas como se fossem sempre sair à noite e não sou assim, embora agora me arranje muito melhor para um simples dia de aulas do que antes, e não sou assim. Sou simples. Natural. E se isso por um lado parece bom, por outro faz com que a dada altura me sinta inferior. Menos bonita. Menos cativante. Até menos inteligente na minha turma! Eu sei lá. Hoje estou assim. Deprimida por estar aqui e deprimida por não ter trazido a minha autoestima.

O inferno #1

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Amanhã volto, por um dia, à vida que mais odeio.

 

Lua, meu amor, prepara-te, já falta pouco para me veres a olhar para ti pela janela do meu sombrio e sozinho quarto com as lágrimas a escorrerem-me pela cara enquanto penso o quão infeliz sou eu naquela cidade.

 

Odeio aquilo. Odeio estar longe de tudo o que realmente amo e me faz feliz.

 

Não tenho nada ali. A sério. NADA.

 

-tem de ser- , diz-me a Lua e diz-me ele, o único que sabe o quanto aquilo me mata por dentro.

 

Tem de ser. Mas continuo a odiar.

 

É só um dia amanhã. Ainda tenho mais uma semana de felicidade.

Corte da Cláudia Vieira

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Ora bem, toda a gente sabe que a Cláudia Vieira fez, há uns tempos, um corte super radical que lhe ficou super bem, certo? Pois, eu decidi seguir a tendência e para quem perdia o seu tempo a ir à cabeleireira e saía de lá igual (só que sem pontas espigadas) acho que foi uma mudança do caraças! E correu bem, já foi há uns dois meses e toda a gente adorou, eu adorei e o meu cabelo visivemente também visto que está muito mais saudável! É que ainda por cima faz uns jeitos super giros, como estes da foto e fica mesmo mesmo mesmo giro! Então, o que fariam se uma amiga vossa, com quem andam todos os dias fosse fazer um corte IGUAL ao vosso? É que eu estou fula da vida e nem sei se tenho razões para estar. Sinto-me como se ela tivesse tirado uma característica minha, como se agora estivesse a querer sobressair e a querer ser comparada para que decidam qual de nós fica mais bonita com o mesmo corte.

Refugiados

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A minha opinião sobre este tema resume-se numa única palavra: HUMANIDADE Aliás, sinto acima de tudo que nem deveria haver opinião formada sobre isto, que deveria ser tão óbvio o nosso sentido de responsabilidade de ajudar quem tanto precisa que não seria necessário esta guerra aberta nas redes sociais! Somos uns hipócritas. Enchemos o país à procura da Maddie e o mundo com Je suis Charlie mas não nos interessa receber os refugiados. Não são franceses nem ingleses. Não tem estatuto nem dinheiro. São apenas pessoas a fugir à guerra, que é que isso nos interessa? Não podia dizer nada melhor do que o que este bloguer disse: http://porfalarnoutracoisa.sapo.pt/2015/09/10-razoes-para-nao-acolhermos-refugiados.html?m=1

(Re)Começar

Cartas à lua. Pensei muito antes de criar, mais uma vez um blog. Mas tinha saudades, tinha muitas saudades de escrever o que me vai na alma, sem pudor, sem vergonha e sem receio. E quem melhor que a lua para me ouvir? Ela que nunca desaparece, mesmo quando mal se dá por ela? Não sei por quanto tempo vou ficar mas por enquanto a lua receberá cartas minhas. Um beijinho a todas.

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